O valor da tradição no mercado de luxo

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Quando o fabricante de malas Louis Vuitton abriu seu atelier na Paris do século XVIII, é possível imaginar que o artesão tivesse a máxima confiança em seu trabalho e a convicção de que suas peças agradariam à nobreza da época e aos clientes mais exigentes. O que talvez tenha superado em muitas suas expectativas é que a marca que ele criou se tornaria em algumas décadas uma das mais importantes grifes do universo do luxo.

Esse breve resumo da saga de Louis Vuitton serve para ilustrar de forma bastante elucidativa a força da tradição e o valor que ela assume nos negócios de alto padrão. Foi mantendo-se fiel às bases estabelecidas originalmente por seu criador e tendo a capacidade de se reinventar e se adaptar às novas exigências que a marca permaneceu influente em quase dois séculos de história.

Na última semana, outro ícone absoluto do segmento de luxo falou a respeito da tradição e da necessidade de transmitir seu legado para as novas gerações. O estilista italiano Giorgio Armani, em uma entrevista concedida em Londres, abordou a necessidade de encontrar um novo comandante para a sua marca criada ainda na década de 1970. Com 83 anos de idade, Armani destacou que encontrar um sucessor é uma parte importante de um negócio de sucesso.

E talvez a informação mais importante dada na entrevista foi que de acordo com o próprio estilista, não será necessariamente um italiano que assumirá a marca.  Conforme Armani, isso “não é obrigatório. Lembremos que nos anos 1970 e 1980, os estilistas eram franceses e eram os que seguíamos”.

Apesar de Giorgio Armani ter membros muito próximos de sua família que já trabalham na marca em posições consideradas estratégicas, a transição não é automática, ou seja, muitas questões precisam ser consideradas e levadas em consideração no momento em que um gestor de imensa reputação e prestígio como o estilista italiano resolve passar sua tradição adiante.

Nas culturais orientais, como por exemplo o Japão, a tradição é um atributo muito valorizado na sociedade como um tudo e no mundo corporativo de forma pontual.  Não é sem motivo a reverência dos mais novos para com seus mestres.

No segmento de luxo, o valor dessa tradição também tende a crescer com o passar do tempo. Em uma época em que as novidades tornam-se obsoletas com uma rapidez impressionante e empresas surgem e desaparecem rapidamente, valorizar marcas e criadores que se consolidaram através de muito trabalho, criatividade e inovação, é uma atitude cada vez mais atual.

Crédito da imagem: Reprodução (Giorgio Armani ao centro durante desfile da coleção Spring/Summer 2017 “Orange Vibrations”)

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