O luxo ao alcance de Paris

Paris foi o palco da Alta Costura Verão 2016 durante a última semana de janeiro. Cadastrada pela Federação Francesa de Moda, participei da minha vigésima temporada aqui na terra do sonho, do luxo e onde o impossível pode ser encomendado. Não há limites para o mercado da chamada Couture. Não há limites para uma produção limitada voltada para onde o dinheiro está.

Diferente do prêt-à-porter que, na mesma hora em que é clicado o primeiro look a entrar na passarela, já existem milhares de copiadores recebendo e produzindo em baixa qualidade as novas modas, a Alta-Costura é como uma Guernica de Picasso. Linda de ver e quase impossível de decifrar. Gosto sempre de fazer essa comparação. São muitos detalhes, muitas horas de trabalho, muitos cortes inovadores e, sobretudo, modelos que só funcionam em determinados tecidos. Caros, raros e, portanto, artigos de luxo.

Anos atrás, quando cheguei aqui e comecei a ver os desfiles, falava-se que ela estava morta e que existiam 200 compradoras no mundo. Essas mulheres, vindas de países historicamente ricos ou novos ricos, eram as favorecidas, as únicas que tinham acesso a essas peças e que por isso todos esses shows de opulência e riqueza estavam com os dias contados. Elas eram poucos. O mundo estava em decadência. E ainda está. “La couture est morte”. Nada disso.

Ela estava apenas adormecida pelo encanto que na época o prêt-à-porter causava na mídia deslumbrada e nos consumidores que ainda não estavam acostumados ao Fast Fashion. Hoje todo mundo compra o que quer pelo preço que pode pagar. As cópias são tantas que não existe mais a exclusividade naquilo que é produzido em grande escalas, sejam elas de grandes marcas ou pequenas.

Um modelo de bolsa novo entra no mercado e rapidamente você tem opções que vão do preço absurdamente caro da peça original e depois caem até valer quase nada na boutique coreana ou chinesa do bairro popular da cidade. Com essas palavras dou meu discurso para defender a magnitude da Alta-costura. Os holofotes voltam a ela. Através de criações de extrema riqueza, temos uma preservação do objeto de desejo. Do verdadeiro luxo. Da exclusividade.

E as ricas do mundo? Sejam 200 ou mais, elas ainda querem uma peça que seja feita à medida ilimitada do poder de seus sonhos mais mundanos embalados e materializados por enormes fortunas que se multiplicam a cada dia que nasce. Impossível acabar com esse ciclo. Utopia pura.

Segue uma seleção de peças da Couture Paris Verão 2016:

1a

SUAVIDADE

Giambattista Valli deu romantismo e suavidade a seus lindos vestidos. Uma temporada perfeita para imaginar-se num jardim epicurista.

2a

O BEIJO DA MULHER ARANHA

Impossível não lembrar do filme de Hector Babenco de 1985 com a fantástica Sônia Braga num longo vestido em forma de teia. Aqui não é uma teia tradicional, mas vale a adaptação de Alexis Mabille. Já na passarela do Atelier Versace apareceram verdadeiras teias.

2b

NOS TEMPOS DA DELICADEZA

O studio Dior, é assim que a Maison chama sua equipe de criadores depois da saída do diretor-artístico Raf Simons, em outubro do ano passado fez sua alta-costura também baseada na delicadeza. Os bordados são discretos, os decotes idem e a combinação de cores é clássica.

3a

NOSSOS MELHORES AMIGOS

E logo depois de terminar os quatro dias de Alta-Costura, as marcas lançam suas coleções de joias. A Chanel anunciou nessa sexta-feira a chegada ao mercado da coleção “SIGNATURE DE CHANEL”. O anel da foto é uma das 48 peças que integram uma homenagem ao clássicos tecidos matelassés de Gabrielle Chanel.  Nesse anel, são dois diamantes de dois quilates e 84 de tamanho brilhante fazendo no total 1,3 quilates, que tal?

#REALIZESEUSLUXOSPESSOAISSEJALIVRE

Fotos passarela: Antonio Barros

Foto joia: Chanel Divulgação

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