O balanço do mercado de luxo em 2015

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A atemporalidade é um dos principais atributos dos produtos de luxo. E sua importância pode ser entendida quando analisamos que uma Ferrari produzida na década de 1950 desperta, ainda, o desejo dos apaixonados por automobilismo ou quando imaginamos que uma peça exclusiva da joalheira Tiffany & Co., produzida nos dias hoje, permanecerá encantadora por muitas gerações.

Essa habilidade de não sentir as consequências do tempo, entretanto, não é uma característica do mercado de luxo enquanto segmento econômico. Pode-se afirmar que o setor possui padrões e códigos de consumo que o tipificam, mas, vale ressaltar, que no mundo globalizado da atualidade não existem compartimentos estanques.

Neste ano de 2015, o mercado de luxo apresentou, em um mesmo ciclo, dois comportamentos bastante distintos. No primeiro semestre do ano, era evidente o entusiasmo das marcas de alto padrão, que registraram consideráveis índices de crescimento, mesmo em uma época de retração econômica. Entretanto, diversos eventos ocorridos a nível global, fizeram do segundo semestre um período de maior reflexão e da revisão das estratégias para o ano que se inicia em breve.

No mês de abril, um texto publicado no site Brasil Econômico deixava claro esse otimismo. “A queda da confiança do consumidor em relação à economia, inclusive entre os mais ricos, impacta diversos setores. Porém, o mercado de luxo ainda consegue manter, em 2015, sua constante evolução dos últimos anos. O crescimento real do setor no Brasil será de 4% neste ano, na comparação a 2014, segundo estimativas da Euromonitor, empresa de pesquisa de mercado” destacava a matéria.

Outra reportagem publicada na versão online do Jornal Correio Braziliense destacava o aquecimento do mercado e indicava a capital do país como um destino cobiçado pelas grifes premium. “Brasília entrou na rota e no interesse do mercado de luxo. Há cinco anos, a cidade é considerada a mais promissora do Brasil para o segmento fora do eixo Rio-São Paulo. Embora o momento econômico seja delicado, empresários e especialistas garantem que o consumo de alto padrão tem sentido menos o impacto da crise que o país vive”, informava o texto. Marcas de renome mundial como Michael Kors e BobStore inauguraram lojas na cidade no primeiro semestre do ano.

Na segunda metade de 2015, o entusiasmo cedeu espaço para a cautela. Um estudo realizado com as dez marcas mais poderosas do segmento de luxo indicou uma queda no valor de mercado em torno de sete bilhões de dólares. Entre as marcas pesquisas, somente a Chanel e a Louis Vuitton apresentaram aumento no valor de mercado.

No cenário brasileiro, a retração do segmento também foi sentida. Se grande parte do público do setor detém elevado poder aquisitivo, muitos consumidores ingressaram nesse mercado através do aumento da renda e da oferta de crédito, duas realidades impactadas decisivamente em razão da instabilidade econômica e política do país.

E ao traçar o balanço do ano, é impossível não levar em consideração os ataques ocorridos em novembro em Paris. Um dos principais destinos do luxo mundial deve sofrer consequências ainda impossíveis de se contabilizar na sua exata dimensão. A certeza, com a chegada do final deste ano, é que o período que passou foi atípico. Entretanto, cabe às lojas e marcas de alto padrão, embarcar na contracorrente da obviedade, e criar estratégias e ações para que o ciclo que se inicia em breve seja mais tranquilo e, ainda mais, luxuoso.

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