As novas sacadas do luxo

Há dias me bato pelas ruas de Paris em busca de novos indícios de luxo. Os franceses dizem que luxo é algo que não se mostra, mas sim algo que se vive, se aproveita, se exercita.

Outros falam que luxo é ter um poço de água cristalina em casa. É verdade. Todos são, mas a gente quer saber um pouco mais sobre o luxo que se consome, se compra, se vende, o luxo que faz sonhar e realizar, não é mesmo? Por isso, abri meus olhos para ver o luxo da moda de hoje e perceber o que ela faz nesse momento para sair da crise de excessos que representam a luxúria e encontrar um luxo que seja realmente próximo do que hoje tornou-se raro.

Oui! O luxo é raro? Raro sim, pois alguns não o percebem. E foi nessa linha que fui costurando esse post. Como uma peça de alta-costura. Aos poucos. Passo a passo. Uma imagem de uma publicidade de perfume da Carven foi meu abre-olho. Depois nas ruas vi uma pintura street art de Ingres. Uma reprodução. Achei aquilo um luxo. Cruzar uma rua meio bagunçada e ver uma imagem clássica de arte bem ali na minha frente. Respirei e fui adiante.

Muitos dias se passaram. Atrasei para chegar aqui. Queria realmente dar um recado. Quero dar. E o que a galera da moda está fazendo mesmo para resgatar o conceito de luxo? Simplificando. Trazendo as imagens para o jogo de imagens clássicas, misturadas a produtos que não sejam rebuscados.

Como é bem isso? A Chanel, por exemplo, fez um lançamento de imprensa de seu novo relógio de linhas simples com cara de Cartier. O lugar é chiquérrimo. Place Vêndome. Símbolo da riqueza onde ficam todas as joalherias e onde está o Hotel Ritz. Ali viveu e morreu Gabrielle Chanel. Ali Diana jantou pela última vez, antes de se acidentar fatalmente debaixo de um túnel parisiense. Ali agora restam histórias e constroem-se novas, assim como o próprio Ritz que está em reforma desde o ano passado. Aquele conceito de luxo precisa ser renovado. Como tudo.

O luxo do rococó cansou. As portas precisam ser mais limpas. O povo do luxo quer conforto e silêncio. É isso. O silêncio começa a ser solicitado. O Boy da Chanel, nome do relógio, não tem nada demais a não ser a simplicidade de linhas e variações de ouro e diamantes. Não vai ser notado por quem acha que o luxo é ostentação. Vai ser percebido por quem liga as antenas e vê que pensar e processar nossas necessidades é um ato luxuoso. Sim, pensar é luxo. Consumi-lo com cautela também. E esse é o sinal mais forte que eu posso sentir por aqui.

Mês que vem eu volto, ok? Tem imagens a seguir para complementar minhas impressões. Elas vieram dessa busca. Da vontade de encontrar um luxo que seja claro e não deixe nenhuma dúvida de que ele é real e possível. Uma grande sacada cheia de respeito ao limpo, ao real e aos que não tem a mesma oportunidade que você. Bisous.

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O luxo da beleza pura

Quer saber? A onda boa de luxo tem essa pegada. O clássico das pinturas de Ingres inspira as maquiagens e os cabelos. Fácil de fazer. Um luxo bem ao seu alcance.

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Roupagem simples

Sim, nada de cores e excessos. Nas coleções da Chloé uma imagem que passa bem os passos que o mercado vai dar.  Não é minimalismo não. Apurar o gosto acaba sendo um grande luxo.

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Um grande sinal

As campanhas de perfumes de luxo são claras. Existe uma beleza limpa, pura, cristalina. É fácil perceber que o apelo ao não exagero é total. Necessita-se dessa imagem para o resgate de um luxo que não caia na luxúria.

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Resgate

Das flores mais simples, das que nascem até à beira de uma estrada para o pequeno jardim que faz a entrada da Maison Dior na Avenue Montaigne. Simples entender que a pegada é a valorização do que deve ser preservado. Os pequenos detalhes lindos da natureza.

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