A moda como ferramenta silenciosa de protesto no Globo de Ouro

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Ao longo da história da humanidade não foram poucas as ocasiões em que a moda foi usada pela sociedade como instrumento ou símbolo de protestos. Às vésperas da Revolução Francesa (1789-1799), a burguesia ficou conhecida como sans-culottes, ou sem culote, que era uma espécie de calções justos típica da nobreza. Em 1960, a queima dos sutiãs entrou para a história como símbolo da emancipação feminina. E na noite do último domingo, sete de janeiro, a ideia da moda como expressão foi elevada à máxima potência durante a 75ª edição do Globo de Ouro.

O tapete vermelho da premiação, realizada pela Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood (HFPA), foi tingido de negro pelas centenas de artistas e convidados que elegeram o preto como a cor da noite em apoio ao movimento Time’s Up, que combate o assédio e abuso sexual dentro e fora da indústria do entretenimento. A campanha mobilizou mais de 300 atrizes, diretoras e agentes, entre elas grandes nomes como Oprah Winfrey, Meryl Streep, Barbra Streisand e Angelina Jolie.

Foi um protesto simbólico, mas eficiente e uma prova de que as roupas falam por nós. E em alguns casos, como ontem, gritam. Até mesmo os homens demonstraram seu apoio à causa vestindo o preto e carregando discretos broches na lapela com a inscrição Time’s Up. No tradicional red carpet, diferente do que ocorre normalmente, quase não se falou sobre vestido, cabelo e maquiagem, ou se ouviu a famosa pergunta “de onde é o seu vestido?”.

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Em compensação a moda foi colocada no centro da festa, cada um dos glamurosos vestidos pretos falando mais alto do que outro. Das longas mangas de Angelina Jolie a transparência de Jessica Biel e ao smoking de Claire Foy, chamaram atenção as modelagens, os tecidos luxuosos, as joias pesadas, com brilhantes e esmeraldas, e os penteados bem elaborados.

O discurso mais poderoso da noite ficou por conta da empresária, apresentadora, atriz e roteirista Oprah Winfrey, que compareceu à premiação usando um longo vestido preto feito sob medida pelo Atelier Versace. Ela subiu ao palco para receber o prêmio honorário Cecil B. DeMille pelas suas contribuições à indústria televisiva e cinematográfica ao longo de 30 anos. Na sua fala, chamou atenção para a força das mulheres, assédio sexual e racismo. Leia abaixo um trecho do discurso:

“Por muito tempo, mulheres não foram ouvidas e foram desacreditadas. Ela (Recy Taylor, famosa vítima de abuso sexual nos Estados Unidos na década de 1940) viveu, como muitas de nós vivemos, muito tempo em uma cultura destroçada por homens brutalmente poderosos. Por muito tempo, as mulheres não foram ouvidas e foram desacreditadas se elas ousassem falar a verdade diante do poder daqueles homens. Mas o tempo deles acabou”.

Crédito das imagens: Reprodução.

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