Investimento de luxo

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A palavra investimento é amplamente usada no que se remete à busca pelo ganho financeiro, mas esquecemos que o significado desse termo vai muito além disso.

O gerente do banco sempre fala sobre os inúmeros fundos que podemos investir e no grande leque de oportunidades para transformarmos nosso dinheiro em algo rentável, e aí encontramos a primeira possibilidade de colocar isso em prática.

Passado todo esse papo sobre finanças, você acaba se entediando (não se culpe, falar sobre dinheiro pode ser maçante e repetitivo). Mas com um espacinho na agenda, decide a ir ao shopping.

Podemos chamar isso (ir ao shopping) de investimento?

Sim, afinal, investir em beneficio próprio é muito mais do que simplesmente aplicar dinheiro. É destinar seus recursos (limitados ou não) em algo que vai te trazer resultados – e que vão muito além de ganhos financeiros.

Devemos pensar no bem estar. Do que vale o dinheiro sem o bom uso dele?

Examine suas privações; o dinheiro tem de ser tornar seu amigo e não seu mais severo capataz.

Mas voltemos ao shopping.

Vale lembrar, que antes de ir às compras, você teve uma breve reunião com seu gerente, ou planejador financeiro, e ele lhe deixou a par de todos os detalhes – que, neste caso, são extremamente favoráveis. Finanças saudáveis e investimentos a todo vapor. Não é um shopping que vai estragar isso, certo?!

Jamais teremos a resposta dessa questão, afinal, controle financeiro é algo muito pessoal. Devemos sempre ter cuidado em cada detalhe, pois cada caso é único.

Vamos imaginar que você é uma pessoa cautelosa, que sempre analisa os números, e pensa com a razão (e com o bolso).

Hora das compras: um anel de brilhantes insiste em roubar sua atenção frente àquela vitrine elegante e atraente, mas você pensa “não posso” sem nem sequer olhar o preço.

“Meu dinheiro é sempre investido”. Essa se tornou sua oração. “Comprar uma joia? Sem chance!”, você pensa e repete isso toda vez que passa pela vitrine, enquanto observa pessoas provando verdadeiras obras de arte.

Para que tanta privação? Você quer aquela joia e sabe disso, mas a sua mente não sabe discernir o que é uma extravagância e o que é investir em si mesmo. Não se culpe. Tendemos ao extremo, sem meio termo – é tudo ou nada.

As joias são artigos de luxo, e usá-las é o sonho de toda mulher (e muitos homens). Mas as vemos, muitas vezes, com certo preconceito, já que o custo nem sempre é baixo, e assusta muita gente.

Vamos olhar este caso específico com outros olhos?

E se eu te disser que aquela joia linda que você quer comprar para usar no seu aniversário de casamento, por exemplo, também é uma forma de investir e pode lhe trazer benefícios?

É confortante saber que pode comprar porque a peça é muito mais que um objeto de alto valor, é um investimento (a palavra chave voltou).

Comprar joias pode ser uma atitude interessante e inteligente, se nos permitirmos isso.

Muitos analistas financeiros recomendam que podemos focar 20% do nosso patrimônio em ouro, por exemplo. Atraente, luxuoso e presente no mercado de luxo desde que o mesmo se entende por tal, o ouro é considerado algo seguro, mas claro, com bom direcionamento.

Se você busca valorização, não escolha as reconhecidas somente pelo design. Salvo raras exceções, elas não tendem a valorizar tanto. Pense menos no visual, mais no peso e na matéria prima.

Se você busca mais do que investimento com retorno exclusivamente financeiro, vale a pena pensar em algo que pode trazer também outros benefícios.

E por fim, neste tribunal, farei primeiramente a defesa de tal investimento:

Liquidez mais alta do que muitos ativos físicos, como imóveis por exemplo;

Controle sobre o poder de compra: em um cenário de alta inflação, as joias não perdem seu valor;

Possibilidade de penhora junto aos bancos com juros extremamente atraentes para momentos de dificuldades pessoais ou necessidade de liquidez;

Risco de prejuízo mais baixo, se comparado às ações e títulos;

Em casos de crise elas podem valorizar;

E o que eu considero mais importante: satisfação pessoal! Uma joia pode melhorar a autoestima de quem a usa e até mesmo trazer sorrisos se presenteada a quem amamos (algo que dificilmente encontraremos em títulos e aplicações).

Mas como tudo na vida, há seus contras:

Levando-se em consideração os índices de criminalidade no Brasil, e em grande parte do mundo, ter joias em casa pode ser arriscado;

Baixa liquidez, se compararmos elas aos produtos que o mercado financeiro oferece;

Baixa valorização em momentos amenos na economia.

Por fim, ao analisarmos todos os pontos, vemos que tudo deve ser ponderado. Uma joia pode sim ser um bom investimento, se você tiver saúde financeira para comprá-la.

Planeje-se sempre e tenha sempre o pé no chão.

Coloque tudo na balança e se culpe menos ao colocar aquele lindo diamante no dedo.

Crédito da imagem: Reprodução.

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