As dicotomias da moda

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Claro e escuro. Noite e dia. Labirintos e caminhos. Belezas e inspirações. Fascinada pelas diversas interpretações com que os arquétipos da moda foram analisados em diferentes épocas, Maria Grazia Chiuri, Diretora Artística das coleções femininas da Maison Dior, criou sua primeira coleção de Alta Costura.

A ideia de estilista foi aventurar-se no mundo Dior como quem entrar em um labirinto, onde o caminho está repleto de flores, plantas e imagens alegóricas que parecem parte da iconografia do lugar e que, ao mesmo tempo, remetem ao imaginário de Christian Dior.

“Após as mulheres, as flores são a criação mais divina. Elas são delicadas e encantadoras, mas convém usá-las com cuidado”, definiu a criadora. O resultado são vestidos que evocam a mudança das estações e a vida em si.

Maria Grazia se apropria da arte da adivinhação, transformando-a para embelezar suas criações: estrelas bordadas sobressaem sobre o tule colorido ou os símbolos do tarô são pintados a mão sobre o branco de vestidos longos. Este branco pode ser encontrado dentro de um casaco preto e traz um elemento do smoking feminino. É assim que surge uma série de interpretações deste clássico traje masculino, que se torna uma peça-chave de uma feminilidade contemporânea. O tailleur Bar é decomposto e recomposto, até virar uma capa. Saias-calças amplas, plissadas, revelam uma nesga de cetim nas laterais, e o manteau Domino exibe um grande capuz em veludo.

É um desejo de beleza que guia esta viagem, onde se perder é um passo necessário para desafiar-se e seguir em frente.

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