Arquitetura, decoração e o novo luxo

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Meus primeiros entrevistados na área de arquitetura e design de interiores aqui na Terapia do Luxo não poderiam ser outras pessoas que não duas que admiro há algum tempo, que investem muito em revistas e premiações do setor, e que trabalham a imagem e carreira como referências – agora também na área tecnológica, com o aplicativo Helper.

Desde que cheguei em Curitiba e que os conheci em uma mostra na loja Artefacto, eles não sabem disso, mas comecei a segui-los pela qualidade de trabalho que percebi naquela ocasião.

Era um admirador e passei a trata-los como referência quando ministrei aulas de Marketing Pessoal no curso de Design de Interiores do Centro Europeu, porque para mim, a admiração só aumentava diante dos projetos que os dois foram construindo na decoração e arquitetura.

Falo do arquiteto Luiz Maganhoto (à direita na foto acima) e do designer de interiores Daniel Casagrande.

Investimento em Imagem e Marketing Pessoal

Ao abrir qualquer revista do segmento em Curitiba e região, a chance de encontrar uma matéria com os dois é muito grande. Eles sempre investiram em imagem e em nossa conversa revelaram o porquê.

“Investir muito em mídia mudou nosso posicionamento. Os clientes gostam de ser referenciados quando levamos até a imprensa seus projetos, assinados por nós. E nós, estreitamos relacionamentos também com as empresas, intensificando nossas parcerias corporativas, o que nos leva todos os anos para a Casa Cor Paraná”, comenta Daniel Casagrande.

“E agora, com nossos filhos, o cuidado passa a ser ainda maior. Desde sempre, para construir a imagem que queremos no mercado já tomamos todos os cuidados, mas como somos públicos, todos conhecem nossa família e isso deve ser levado em consideração ao expor nossos projetos e clientes”, sinaliza Luiz Maganhoto.

A preocupação dos dois diante da imagem vista por todos é com o conteúdo e não somente o visual. Eles comparam carreiras preocupadas somente com a imagem como um castelo de areia, que não se sustenta à primeira dificuldade.

O certo para os dois é que a profissão é como a construção de um muro, todo dia se coloca um tijolo, caso um dia não se coloque, o muro não se desestabiliza, mas o cuidado deve ser tomado, porque é preciso observar para continuar, e se preciso for, parar, para prosseguir com a certeza de que todos os cuidados necessários foram tomados.

“Tem que ter algo sólido, enraizado e ser verdadeiro, com muito comprometimento. Se isso acontecer, não tem como dar errado. Tem que jogar limpo com o cliente, mostrar sua posição como profissional. O trabalho de um arquiteto é totalmente construído por indicação, por isso deve existir transparência sempre”, destaca Luiz Maganhoto.

Alguns clientes que por admiração das matérias vistas dos dois os contratam, mas é somente 5% dos clientes do escritório. Todos os demais são pelo relacionamento que eles mantêm ao longo dos anos e pelas indicações.

O trabalho com a mídia vem mais para os relacionamentos institucionais e fornecedores, porque querem aparecer ao lado dos dois, uma técnica conhecida como co-branding.

Luxo agora é conforto, segurança e estabilidade

O cliente continua com poder de decisão, mas para eles, em função do cenário político brasileiro, alguns investimentos de luxo na arquitetura e decoração estão segurados, e não inexistentes.

Como os clientes investem, quanto tempo terão o retorno, são preocupações que os dois também têm ao negociar seus projetos.

Segundo eles, na arquitetura como investimento houve uma pausa para que sejam definidas algumas questões brasileiras, principalmente no cenário político, que vai e vem, e preocupa, deixando todos os profissionais em alerta.

E se olharmos para o mercado de Luxo, que sempre vai existir, podemos pauta-lo hoje ao conforto.

Luxo não é mais satisfação pessoal de momento, ostentação. Os consumidores mais conscientes buscam conforto, não se preocupam em ter ou mostrar.

“O luxo na arquitetura e decoração não se vê mais em filetes dourados, mármores, banheiras automatizadas. O que as pessoas mais querem hoje é o conforto que o luxo traz e que eles podem usufruir”, destaca Luiz Maganhoto.

A visão é que há dois anos era o fim de um ciclo para o Brasil, dos contatos iniciais com algumas marcas, do comportamento pautado em ter mais e mais. Na conversa no escritório dos entrevistados, ao lado de um dos parques mais bonitos da cidade, falamos que o consumo de hoje é diferenciado, com muito mais consciência, para quem está no mercado de alto padrão.

Na arquitetura ainda existem os clientes que pedem casas espetaculares, muito grandes, mas Luiz e Daniel acreditam que seja 1% dos pedidos de seus clientes. Eles identificam uma mudança de hábito, outros valores que estão mais em alta.

“Nem tudo que é caro é bom e tudo que é muito barato deve ser pensado. Existem as pessoas que querem as assinaturas, os objetos de desejos, mas hoje o menos é mais”, comenta Daniel Casagrande.

O aplicativo Helper

Quando falamos em concorrência, eles logo afirmam que não acreditam nesta palavra, por isso estão sempre em sala de aula ministrando encontros e palestras sobre suas áreas e mostrando seus pontos de vista.

E por isso, em meio a quase 600 novos arquitetos formados somente na cidade de Curitiba e região, todos os anos, e também os já atuantes arquitetos, designers de interiores e engenheiros, somados às diversas lojas e fornecedores de materiais, para que tenham ainda mais contato aos clientes que, em sua grande maioria, não compram projetos arquitetônicos, Daniel Casagrande e Luiz Maganhoto, com uma equipe e investimento de ponta, criaram o Helper.

Um aplicativo, em fase de lançamento em Curitiba, mas com projeção de se estender em todo território brasileiro, que irá vender consultorias técnicas por hora/trabalho, facilitando o encontro entre os profissionais qualificados e novos clientes.

“Os clientes finais não compram projetos e para que eles tenham uma visão técnica de um profissional, uma consultoria técnica, ele pode pagar R$ 250,00 por ela. O dispositivo no aplicativo é randômico com a escolha dos profissionais, para coloca-los com novos clientes. Em uma hora o profissional tem a chance daquele contato direto com o cliente e a possibilidade alta de fechar um contrato maior”, explica Luiz Maganhoto.

Com o Helper, os clientes podem quebrar a barreira de que um profissional de arquitetura e design é inacessível e abrir novas possibilidades para essas áreas. O Helper também aceitará as categorias de paisagismo, corretor de imóveis, designer de interiores, arquiteto, engenharia e lojistas, que podem chamar um Helper para atender melhor um cliente em uma venda de valor alto.

“Isso trará uma mudança cultural na forma de contratar a arquitetura, porque para ser um bom Helper e ter mais solicitações, o profissional vai precisar entender de várias áreas, o que obriga o profissional e se capacitar e buscar educação para evoluir. Quem vai estudar mais vai atender mais”, finaliza Daniel Casagrande.

Crédito da imagem: Gerson Lima.

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